
O que a pesca do Alasca ensina sobre renda
A regra mais difundida no Brasil é sacar o que rende, perto de 1% ao mês, sem tocar no principal. Parece prudente, mas o rendimento nominal carrega dentro dele a correção da inflação.
Newsletter semanal de Eduardo Voglino sobre ações, dividendos e a diferença entre preço e valor na leitura de resultados e carteiras.

A regra mais difundida no Brasil é sacar o que rende, perto de 1% ao mês, sem tocar no principal. Parece prudente, mas o rendimento nominal carrega dentro dele a correção da inflação.

Depois de duas décadas trabalhando com investimentos, principalmente ações, ficou cada vez mais claro que os grandes prejuízos raramente começam com algo obviamente ruim.

Se você percebe que sua renda cresceu, mas não tem clareza se o seu patrimônio está avançando na mesma direção, talvez seja o momento de olhar para o sistema inteiro.

Tente imaginar a pessoa que vai acordar com o seu nome, pagar suas contas, lidar com seu patrimônio e viver com as consequências financeiras das decisões que você está tomando agora.

Dividendo de 40% pode representar uma ação que desabou, um evento extraordinário ou um negócio tentando pagar hoje o caixa que fará falta amanhã.

Recebi uma pergunta simples na caixa de mensagens: como investir cem mil reais no Brasil de hoje. A pergunta parece direta, mas carrega uma confusão que custa caro.

Se você tivesse hoje R$ 1 milhão em dinheiro e precisasse construir sua carteira do zero, compraria exatamente os mesmos investimentos que possui atualmente?

Uma empresa listada na B3 divulgou na semana passada um trimestre que, lido pela primeira linha, parecia muito bom e mesmo assim a ação caiu quase 8%.

Um investidor me perguntou na semana passada por que alguém ainda compraria ações com o Tesouro pagando mais de 8% acima da inflação.

O método de Décio Bazin atravessou décadas justamente porque nunca foi apenas sobre dividendos, mas sobre bom senso.
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