Quem olha o seu patrimônio inteiro?

Em cada tela, uma carteira que parece bem construída. Um assessor sugeriu crédito privado. Outro um multimercado. O terceiro montou exposição em dólar. O quarto ofereceu um CDB longo com taxa acima da média.
Imagem: freepik.

São dez da noite de um domingo e ele abre quatro aplicativos no celular, um de cada vez.

Em cada tela, uma carteira que parece bem construída. Um assessor sugeriu crédito privado. Outro indicou um multimercado. O terceiro montou exposição em dólar. O quarto ofereceu um CDB longo com taxa acima da média.

Cada recomendação faz sentido dentro da própria tela. Nenhuma delas foi construída enxergando as outras três.

E quando ele tenta responder quanto tem, ao todo, exposto ao mesmo tipo de risco, a resposta não está em nenhuma das quatro.

Antes de qualquer transferência, a primeira providência é mais simples: colocar tudo no mesmo mapa.

Uma linha por posição, com valor, percentual do patrimônio, emissor ou risco final, principal fator de risco, liquidez real, tributação, custo e função dentro do plano.

Não é preciso encerrar conta para fazer isso. A Área do Investidor da B3 reúne posições registradas ou negociadas na B3 entre diferentes bancos e corretoras, e os extratos ajudam a completar o que ficar de fora.

Esse mapa não decide nada sozinho. Ele torna visível o que estava repartido em quatro lugares.

Porque pulverizar não é diversificar.

Dividir o patrimônio entre instituições distribui acesso, custódia e fornecedores, e isso pode ter valor. Diversificar é distribuir exposição entre riscos que se comportam de maneira diferente no mesmo cenário.

Quatro instituições podem terminar expostas ao mesmo ciclo de juros, ao mesmo segmento de crédito ou até ao mesmo conglomerado financeiro, com nomes comerciais diferentes.

Um exemplo com números ilustrativos.

Imagine um patrimônio de R$ 2,4 milhões dividido em quatro instituições, cerca de R$ 600 mil em cada. À primeira vista, parece bastante distribuído.

O mapa consolidado mostra outra coisa.

No total, 41% do patrimônio está ligado ao risco de crédito de instituições financeiras, somando CDBs, uma LCA e fundos que carregam esse tipo de ativo.

Entre CDBs e LCAs elegíveis ao FGC mantidos diretamente, posições de um mesmo conglomerado compradas por meio de duas plataformas diferentes somam R$ 360 mil.

Para fins da garantia ordinária, elas continuam sujeitas ao limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição ou conglomerado.

Trocar a tela não cria um novo limite.

O mesmo mapa mostra que apenas 11% do patrimônio estaria disponível em até trinta dias, embora cada instituição, isoladamente, apresentasse alguma posição de liquidez rápida.

Nenhuma das quatro carteiras precisava estar errada quando avaliada sozinha.

O que faltava era alguém somando.

Existe ainda uma consequência mais lenta. Cada profissional rebalanceia a parcela que acompanha segundo a lógica daquela parcela. Sem consolidação, o patrimônio pode passar anos recebendo ajustes locais enquanto a alocação total nunca é revista sob o mesmo critério.

Antes de abrir a quinta conta, vale perguntar qual problema ela resolve que as quatro atuais ainda não resolvem.

Acesso a um produto ou serviço específico pode ser uma resposta legítima. Abrir mais uma conta apenas para tentar corrigir uma sensação de desempenho ruim, normalmente, adiciona complexidade sem resolver a origem do problema.

E antes disso existe uma pergunta ainda mais importante:

Quem está olhando o seu patrimônio inteiro hoje?

Se não houver uma resposta clara, o próximo passo é um diagnóstico patrimonial gratuito.

O diagnóstico começa por essa visão consolidada, antes de qualquer conversa sobre uma nova alocação. O trabalho é realizado por uma consultoria registrada na CVM para exercer a atividade de consultoria de valores mobiliários.

Não temos produto próprio nem acordo de distribuição com gestoras.

Os números apresentados são ilustrativos e não constituem recomendação individual. Sem compromisso de contratação.

Quero fazer o diagnóstico

Tiago Machado

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