Muita gente investe há anos sem saber se está indo na direção certa. A carteira sobe e cai. Mesmo assim, o extrato de hoje mostra um número maior que o do ano passado.
Só que o extrato não responde à dúvida que importa. Esse dinheiro vai ser suficiente para a vida que você quer ter lá na frente? Para responder, você não começa pela carteira. Você começa pela vida.
Comece pela vida, não pelo número
Muita gente escolhe um número redondo como meta. É compreensível, porque número redondo é fácil de lembrar. Mas o número certo sai de outras perguntas.
A partir de quando você quer parar de depender do seu trabalho? Quanto custa o seu padrão de vida hoje? E o que deve mudar até lá? Os filhos saem de casa, a saúde pede mais cuidado, e talvez você queira viajar mais.
O patrimônio que você vai precisar ter nasce dessas respostas. Por isso ele muda de uma pessoa para outra, mesmo entre quem ganha parecido.
As 4 coisas que decidem se você chega lá
Com a meta clara, 4 coisas decidem se você chega até ela.
1. Quanto já está investido
É o seu ponto de partida. E aqui conta só o que está trabalhando para a meta. O imóvel onde você mora faz parte do seu patrimônio, mas não trabalha para essa meta. O mesmo vale para o dinheiro que já tem outro destino.
2. Quanto você guarda
É o dinheiro novo que entra nos seus investimentos todo mês ou todo ano. Ele depende da sua renda e dos seus gastos. E também depende da empresa, para quem tem uma.
3. Quanto rende acima da inflação
O extrato mostra quanto o dinheiro rendeu. Ele não mostra quanto o seu dinheiro compra a mais do que comprava antes. Um investimento pode mostrar ganho todo mês e, ainda assim, perder para a inflação depois dos impostos e dos custos. E é essa segunda conta que decide se você chega lá.
4. Quanto tempo você tem
São os anos entre hoje e o dia em que você quer começar a usar esse patrimônio.
Quando uma muda, as outras sentem
As quatro andam amarradas. Quando uma muda, as outras precisam compensar.
Imagine que você decide antecipar a meta em alguns anos. O tempo encurta, então você vai precisar guardar mais ou fazer o dinheiro crescer mais rápido. Agora imagine que você compra um imóvel à vista. Sai dinheiro do que está investido, então a meta vai pedir mais tempo ou mais dinheiro guardado.
Nenhuma dessas decisões é errada. O problema é tomar uma delas sem saber o que ela faz com as outras três.
Uma carteira boa nem sempre é uma carteira que chega lá
Uma carteira pode ser bem montada, ter custo baixo e estar bem dividida. E mesmo assim pode não levar você aonde precisa, porque o ritmo dela não combina com o tempo que você tem.
O contrário também acontece. Tem gente correndo mais risco do que precisa para chegar a uma meta que alcançaria de qualquer jeito.
Por isso vale trocar a pergunta “a minha carteira é boa?” por outra. Ela me leva aonde eu preciso, no tempo que eu tenho?
Saber a distância
Tudo começa por saber a distância entre onde você está e onde precisa estar. Sem ela, todo investimento parece certo e todo mês ruim parece um desastre.
Tente responder às quatro de cabeça, mesmo sem os números exatos, e anote o que souber. Com essas anotações em mãos, uma conversa com a gente já começa pela distância que separa você da sua meta.





