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Em momentos de turbulência, toda calma é requisitada

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Turbulência afeta o bom senso dos investidores. Muita calma nessa hora é o mínimo que se pode recomendar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 às 10:46

Quinta e sexta foram dias péssimos para a Bolsa Brasileira. O medo de que a situação grega se espalhe para outros países da Europa e afunde o euro provocou uma aversão ao risco em todos os mercados globais, com os investidores fugindo de todo o tipo de risco para o porto quase seguro dos treasuries do governo americano. Mas a situação requer um olhar um pouco mais acurado por parte do investidor.

Em primeiro lugar, é necessário lembrar que a fragilidade fiscal dos PIIGS europeus – a saber, Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha – já era conhecida do mercado. Esses países a anos têm déficit acima de 3% do PIB, têm governos frágeis e perdulários e a situação só foi mascarada antes da crise pois o mundo inteiro crescia em alta velocidade, e durante a crise pois o mundo inteiro estava em convulsão. Agora, não há mais o que fazer a não ser cortar gastos na carne e elevar impostos, duas medidas impopulares (que governo que depende de voto não gosta de fazer) porém necessárias, e que atrasarão ainda mais a recuperação da economia.

Em segundo lugar, é preciso avaliar a velocidade da recuperação da economia. Com a injeção de trilhões de dólares no mercado e a manutenção dos juros mais baixos de todos os tempos em muitos países, os investidores começaram a despejar esses dólares em mercados onde poderia haver algum retorno melhor. Um dos destinos escolhidos foi o Brasil. Não à toa a bolsa brasileira valorizou-se mais de 150% em dólar em 2009. Era quase óbvio que, assim que a economia desse um soluço, esses investidores desembarcariam da locomotiva brasileira para pagar outras contas. E assim foi. A economia verdadeira ainda não está 100% recuperada, há uma longa estrada a ser trilhada antes de considerarmos o paciente recuperado e é necessário muita calma antes de fazer ou desfazer posições na bolsa.

Por fim, há que se considerar o aspecto irracional dos investidores. A situação da Europa era sabida, e mesmo assim, quando as notícias da Grécia tornaram-se públicas e notórias, começou a debandada para os Estados Unidos. E a irracionalidade é que os investidores fogem de países com 10% de déficit em relação ao PIB para um país com 12% de déficit. Sim, o déficit fiscal dos EUA é de 12%. E a agência Moody’s alertou que, se a situação fiscal americana não melhorar, ela poderá perder o rating Aaa que tem para sua dívida. Se isso acontecer, aí sim o mundo verá o eixo da economia sair dos EUA e migrar devagar para a China.

O momento é de muita incerteza. Nouriel Roubini, o doutor Apocalipse, o único economista que alertou sobre a possibilidade de crise ainda em 2007, continua pessimista. O grande temor de todos é a recuperação da economia em W, ou seja, agora entraríamos no segundo vale de queda depois de uma retomada boa registrada no segundo semestre de 2009. Pode até ser, mas muitos economistas afirmam que o que vivemos é uma economia em L, ou seja, uma queda acentuada que será seguida por um longo período de relativa estabilidade na baixa.

O importante nesse momento é ter sangue frio, adotar posturas defensivas em relação aos próprios investimentos, e aguardar. O tempo é o senhor da razão e dos lucros nas bolsas de valores. Pode ser que demora, mas os resultados vêm.

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Revista InvestMais

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JOSE CARLOS GONÇALVES escreveu: 13/fev
Parabens pelo artigo. Mostra muito bem o que os mercados estão vivendo no momento atual. É ter sangue frio e seguir em frente. Volatilidade tambem é uma oportunidade para ganhos para quem sabe jogar, tem percepção, intuição e acima de tudo sorte, muita sorte.
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