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Espanha, Portugal, Grécia: novos atores de risco

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A queda dos mercados foi influenciada por dados do EUA e foi amplificado pelos desequilíbrios fiscais dos países ibéricos como Espanha e Portugal.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 às 14:39

A queda do mercado acionário mundial ontem foi influenciada por dados econômicos do EUA, porém, foi amplificado pelos desequilíbrios fiscais dos países ibéricos como Espanha e Portugal, além da Grécia e de outras importantes economias do continente europeu.

O embate sobre o câmbio chinês entre os EUA e a China também causou mal estar nas praças financeiras e agitou o mercado de moedas. O Euro, o Iene e o Real sofreram desvalorizações acentuadas. A busca pelo Dólar foi intensificada pelos investidores com menos aversão ao risco devido a possibilidade de choques nos mercados emergentes.

A ata do FOMC e do COPOM não vieram com novidades, realçaram a preocupação com o mercado de trabalho nos EUA, no caso do comitê daquele país, e no campo brasileiro a sinalização ficou por conta do forte monitoramento da autoridade monetária em relação à inflação e a capacidade produtiva da indústria doméstica, como o destaque da ata:

“O Copom entende que, a se confirmar a perspectiva de intensificação das pressões da demanda doméstica sobre o mercado de fatores, a probabilidade de que desenvolvimentos inflacionários inicialmente localizados venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação poderia estar se elevando. Nesse contexto, aumentaria também o risco de repasse de eventuais pressões de alta dos preços no atacado para os preços ao consumidor. O Comitê avalia que a materialização desse repasse, bem como a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, segue dependendo de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação.”

Portanto, o COPOM deixou bem claro que caso as pressões sobre os preços saia do centro da meta haverá aumento da taxa de juros e outros mecanismos de política monetária no mesmo instante. Diante do ambiente interno favorável para a expansão do crédito, do aumento da renda e redução da taxa de desemprego, além dos repiques que a desvalorização do Real pode causar no atacado, a retomada dos preços é quase certa.

Entretanto, em se tratando do mercado de moedas e de ações as preocupações recai sobre a capacidade dos países europeus, com problemas fiscais, resolverem a curto e médio prazo a deterioração das suas contas. Com isso, os CDSs (Credit Swap Default) dessas economias seguirão pressionados no mercado de dívida soberana. Os spreads dos CDSs dessas economias são os referenciais para calcular o risco e a capacidade de pagamento dos títulos emitidos por estas nações.

Como no artigo anterior, reafirmo o aviso: os investidores que ficarem atentos aos movimentos dos CDSs dos emergentes e dos países da zona do euro deverão obter êxito nas suas estratégias.

Sobre o Autor

Ricardo Jacomassi

Economista graduado pela Puc-SP, especializado em Econometria pela FIPE e Reformas Macroeconômicas pela CEPAL/ONU. Possui experiência no mercado financeiro e análise econômica, com passagem em importantes empresas do setor, atualmente é responsável por análise macroeconômica e de commodities numa instituição do mercado financeiro,

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